Morte Digital: o que acontece com os perfis de usuários falecidos?

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Morte Digital: o que acontece com os perfis de usuários falecidos?

A era digital nos trouxe muitos benefícios bem como muitas dúvidas. Estamos conectados a todo o momento a diversas redes sociais e nunca sabemos quando uma fatalidade pode ocorrer morte digital. E ai surge uma grande dúvida: o que acontecerá com o seu perfil nas redes sociais após a morte e consequentemente a morte digital? Provavelmente essa questão já passou pela sua cabeça algumas vezes!

Morte digital é uma realidade

Nos primeiros oito anos de existência da rede social mais popular do mundo, estima-se que 30 milhões de usuários morreram e não tiveram uma morte digital. Por dia, são aproximadamente 10.273 usuários. E todos os dias, 10.000 usuários mortos possivelmente receberão solicitações de amizades, serão marcados em fotos, ou até mesmo serão parabenizados por seu aniversário. A morte digital não aconteceu.

Morte Digital – Link de perfils

Acontece que ao falecer, o usuário deixa na internet toda uma herança, como se fossem rastros que ficam disponíveis na web, mesmo após muito tempo de falecimento. Entre estes rastros, ficam dados de redes sociais, fotos, e qualquer outro conteúdo do autor.

Assim como esses dados, os perfis nas redes sociais continuam ativos, e este é um dos fatos que nos levam a repensar toda essa nova era digital: Como devemos proceder para apagar esses dados? Deixo o perfil ativo? Como ligar como Morte Digital?

Manter o perfil ativo é uma escolha da família. Algumas pessoas consideram reconfortante, outras, consideram ainda mais doloroso. Essa dúvida também nos leva a refletir para onde vão todos esses dados, ou como pode se proceder para apagar uma conta e de fato ligar com a Morte Digital.

Primeiramente, é necessário entender que você é dono dos seus próprios dados, e o Facebook respeita a sua privacidade inclusive após a sua morte agindo na chamada “Morte Digital”. Ou seja, seus dados só poderão ser acessados por ordem judicial, ou se você realizou uma autorização prévia (como passar seus dados de login para um cônjuge, por exemplo).

Mas para a desativação de uma conta, os trâmites costumam ser mais simples. É necessário comprovar o grau de parentesco com o falecido e também provar a morte por meio de documentos, como certidão de óbito e então transforma-la em Morte Digital. Dessa maneira, a conta é excluída da rede social, e os dados do usuário, consequentemente.

Memorial para a Morte Digital

Há também a opção de manter a conta como um “memorial”. A burocracia é a mesma, porém a conta permanece ativa de uma maneira peculiar: o mural fica livre para postagem de amigos, bem como marcação de fotos. Mas o perfil não aceita mais solicitações de amizade e a privacidade das postagens não pode mais ser alterada. Feito isso, a transformação em memorial não pode mais ser revertida. Em ambos os casos, as informações de login não são informadas a terceiros, mantendo assim a privacidade do indivíduo.

 

A decisão de manter o perfil ativo como memorial, ou desativá-lo completamente vai da família. Muitas pessoas preferem manter o perfil “in memorian” como forma de diminuir a saudade, e confortar as partes envolvidas. Outras consideram um sofrimento ainda maior. É uma decisão em que não há o certo ou errado, envolve apenas a vontade dos familiares e o mais importante é que a privacidade do usuário continua preservada, em sua grande maioria.

Cada rede social possui um trâmite diferente para contas de usuários falecidos e Morte Digital, mas em todas elas há a política de respeito à privacidade de cada usuário.

Sandra Ciliano Palestrante, Profissional de TI desde 1991, graduada em Análise de Sistemas e Direito, com especialização em Administração em Redes, Segurança da Informação , Análise de Softwares (Fraudes) e Direito Eletrônico ela EDP- Escola Paulista de Direito. Consultora, Perita Judicial, Professora Universitária e Palestrante sobre Crimes na Internet e Segurança Digital. É colunista em diversos blogs e revistas, criadora do Site Crimes na Internet e Membro da Comissão de Direito Eletrônico e Crimes de Alta Tecnologia da OAB/SP e Membro da Comissão de Segurança Pública da OAB/SP.

Com a Morte Digital aparecem inovações

Observando esse novo comportamento, dois programadores desenvolveram um site em que o usuário pode programar suas mensagens de despedida, agendar postagens, e até mesmo excluir sua conta e seus dados. A ferramenta que tem como função dar um destino aos dados virtuais do usuário, tem conquistado muitos adeptos que se preparam para Morte Digital.

Este fato nos leva a repensar na brevidade da vida e as questões que nós realmente nos importamos. Será que isso realmente é necessário? Será que damos uma importância exagerada para as redes sociais? Vale a pena repensar nossas opiniões, o que você acha?